Egito: templos, silêncio e a força do Nilo (02 de Julho a 08 Julho)

Viajar com a família sempre me ensinou muito. Mas dessa vez, o aprendizado começou antes mesmo do embarque.

Nossa viagem ao Egito começou com uma notícia que mexeu com todos nós: a Marina, minha filha, teve alterações no fígado em alguns exames que fazíamos como preparação para a próxima etapa na África. Por precaução, decidimos que ela ficaria no Brasil. Está tudo bem com ela — ficou aos cuidados amorosos da minha mãe e do meu irmão e cunhada — mas o coração, claro, partiu dividido.

Viajamos então em três: eu, Lidiane e o Eric.

Saímos de São Paulo com uma longa escala em Casablanca, no Marrocos. As 12 horas por lá foram providenciais: descansamos, o Eric se divertiu na piscina do hotel, e pudemos respirar antes do mergulho cultural que o Egito nos prometia.

O impacto das pirâmides

Chegando no Cairo, encontramos a família do Emerson meu amigo.

No dia seguinte, começamos já com aquilo que move o imaginário de quem sonha visitar o Egito: as pirâmides de Gizé.

Nenhuma imagem ou documentário é capaz de transmitir o impacto real de estar ali. A escala das pirâmides impressiona. A geometria, a força, a permanência — tudo desafia a lógica. Como construíram isso há 5 mil anos, com tamanha perfeição?

A Esfinge também me surpreendeu: muito maior do que eu esperava, silenciosa e imponente, guardando aquele território sagrado com olhos eternos.

Mas o que também chamou a atenção nesse primeiro dia foi o calor brutal. Estávamos no auge do verão egípcio, com temperaturas acima dos 40 graus. Um calor seco, que faz você andar devagar, pensar duas vezes antes de sair da sombra, e respeitar ainda mais a força do deserto.

Aswan e o templo que flutuou

No segundo dia, acordamos às 3h30 da manhã para pegar um voo até Aswan, no sul do país. Café da manhã na van, aeroporto às escuras, e o voo saiu às 6h30.

Nossa primeira parada foi o Templo de Philae — uma das experiências mais bonitas da viagem. Esse templo foi originalmente construído numa ilha que acabou ficando submersa após a construção da barragem do Nilo. Em uma operação internacional de preservação, ele foi desmontado e reconstruído pedra por pedra em uma nova ilha. Um verdadeiro milagre de cuidado histórico.

Depois do passeio, embarcamos no nosso cruzeiro pelo rio Nilo — e começava ali um novo ritmo, mais suave, mais contemplativo.

Um mergulho no sagrado

No fim da tarde daquele mesmo dia, pegamos um barco menor e visitamos uma vila tradicional às margens do Nilo. Simples, viva, cheia de cores e risos.

E ali tivemos a chance rara e maravilhosa de nadar no próprio rio. O contraste foi o que mais me impressionou: o dia estava escaldante, mais de 40 graus… mas a água do Nilo era gelada. Quase inacreditável. Eric adorou, pulou sem medo. E eu, mergulhado naquele rio milenar, senti como se o tempo tivesse parado.

Voltamos para o barco renovados. Jantamos sob o céu do deserto e dormimos cedo: no dia seguinte sairíamos novamente às 4h30 da manhã.

Abu Simbel: perto da fronteira, longe do possível

Dirigimos por três horas até chegar a Abu Simbel, quase na fronteira com o Sudão. Mais uma vez, fiquei sem palavras.

Os templos construídos por Ramsés II foram talhados diretamente na rocha, com estátuas gigantes na fachada. E o mais impressionante: esse templo também foi salvo da inundação do lago Nasser. Foi cortado em blocos, numerado e reconstruído em uma área mais alta com a ajuda da UNESCO. Um feito de engenharia moderna à altura da grandiosidade do faraó.

Ali, aprendemos mais sobre Ramsés, que construiu os templos para si e para sua esposa favorita (entre as 32 que teve). O calor ainda era cruel, mas o espírito estava alimentado por uma sequência de histórias que pareciam lendas — e que ali estavam, esculpidas em pedra viva.

Kom Ombo e o silêncio do Nilo

No caminho de volta, paramos para visitar o Templo de Kom Ombo, único por ser dividido simetricamente entre dois deuses: Sobek, o deus crocodilo, e Hórus, o deus falcão. E ali vimos até múmias de crocodilos no museu do templo — o que, claro, virou assunto favorito do Eric.

Depois, subi novamente ao alto do barco, no convés, e fiquei ali… apenas olhando o rio Nilo. E foi nesse momento que senti algo difícil de descrever.

A força do Nilo é silenciosa. Ele é tudo: estrada, fonte, sagrado, sustento. Dá vida ao Egito e a outros países por onde passa. Ver de cima o contraste entre deserto e vegetação, entre rocha e palmeiras, me fez entender o quanto esse rio é um milagre.

Fiquei ali por muito tempo. Respirando, agradecendo, absorvendo.

Luxor, amanhecer e contemplação

No dia seguinte, partimos rumo a Luxor, onde visitaríamos o Vale dos Reis e mais templos. Mas o que mais me marcou foi o amanhecer.

Acordei bem cedo e fui para o convés novamente. O sol nascendo sobre o rio Nilo é um espetáculo silencioso e eterno. A luz dourada tocando a água, o barco deslizando suavemente, a temperatura ainda agradável antes do calor tomar conta de tudo.

Ali, percebi que o que eu mais gostei no cruzeiro — mais do que todos os templos e passeios — foi ficar ali em cima, em silêncio, apenas olhando o rio.

Porque, no fundo, o Egito não é só história. O Egito é presença.

Se você já esteve aqui, talvez entenda. Se não, te desejo que um dia venha — não apenas para ver os monumentos, mas para sentir o que existe entre eles.

E que você também possa, mesmo que por instantes, parar e apenas olhar o rio.

Templos de Karnac e Luxor

Nos últimos dias da nossa jornada pelo Egito, chegamos a Luxor — antiga Tebas, capital espiritual do império egípcio por muitos séculos. Se o Nilo é a alma do país, Luxor é o coração da sua história.

Começamos pelo Templo de Karnak, um dos maiores complexos religiosos já construídos pela humanidade. Caminhar por ali é se perder entre colunas gigantescas, hieróglifos entalhados com precisão milenar, e a sensação constante de que o tempo ali… se dilata.

É impossível não se sentir pequeno diante das 134 colunas da Sala Hipostila, cada uma com mais de 20 metros de altura. Você anda entre elas e se pergunta: como construíram isso há mais de 3.000 anos? E, talvez mais importante, por quê?

Confesso que em certos momentos, parei de ouvir o guia e penas observei. Porque havia algo ali que nenhuma explicação poderia traduzir — uma força silenciosa que faz você olhar pra cima, respirar fundo e agradecer por estar vivo naquele exato instante. Enquanto meus amigos davam voltas na estátua do escaravelho para buscar sorte e prosperidade, peguei minha chave da vida e minha cruz de Santiago e rezei profundamente um “Pai Nosso” pedindo forças para continuar tendo uma vida plena, cheia de aprendizados e significados.

Mais tarde, já no fim do dia, seguimos para o Templo de Luxor, que fica bem no centro da cidade. Ver as colunas iluminadas pelo pôr do sol foi um dos momentos mais bonitos da viagem. A luz dourada do deserto tocando a pedra antiga como se o templo ainda estivesse em uso. Como se os deuses ainda caminhassem por ali.

Explicava pro Eric como era incrível eles terem construído isso há 4500 anos, e senti uma profunda tristeza de não ter a Marina conosco. Lidiane observava tudo com o olhar paciente de quem sabe que aquilo vai virar memória e que em muito breve eu terei que volta aqui com a Marina. E eu… fiquei mais uma vez em silêncio. O silêncio que só os lugares sagrados nos provocam.

Vale dos Reis: fechando Luxor com chave de ouro

Resumo:

Hospedagem: hotéis, pacote turístico

Locomoção: agência

Custo: barato 

Comida: média 

Segurança: ambulantes incomodam

Trânsito: maluco e perigoso

Dica: uma coisa chata no Egito é que todos envolvidos com turismo esperam gorjetas. Procure se informar pela internet ou chatGPT sobre quanto dar pra cada tipo de prestador de serviço.


Próxima parada:

Tanzânia! Ficaremos 10 dias na missão humanitária da Karimu além de fazermos um Safari.

Gostou? Aqui vai mais coisas sobre nós, clica nos links abaixo e ajude a divulgar nossos projetos:

Nossa família apoia o trabalho de ajuda humanitária da Karimu Foundation (http://karimufoundation.org ) no combate a pobreza extrema. Nossa viagem deve terminar na Tanzânia em Julho de 2025 com o intuito de atrair audiência e consciência para a causa da Karimu. Pra saber mais, assista esse vídeo:

Uma das formas de levantarmos fundos para a Karimu é o trabalho de Mentoria e Consultoria que o Edu dá através da Empower Business School (http://empowerbs.com.br) onde doamos 50% do que recebemos para a Karimu.

Também começamos a nos aproximar da ONG Expedicionários da Saúde (https://eds.org.br/) que leva um hospital e profissionais de saúde em missões para cuidar dos indígenas. Pra saber mais, assista esse TED Talk:


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